RH
August 20, 2025

Saúde mental nas empresas: da intenção à ação

RH
August 20, 2025
Niky

Mediado por Tatiana Pimenta (Vittude), o painel do Palco 2 no final da tarde do segundo dia do CONARH 2025 reuniu Débora Ferraz (Braskem) e Christian Cetera (Hospital Sírio-Libanês). O ponto de partida é incontornável: o Brasil é o país mais ansioso do mundo, 5º em depressão e 2º em estresse/burnout. Só no último ano, 472 mil pessoas foram afastadas por transtornos mentais, um salto de 70% vs. 2023.

Mas a boa notícia é que a mudança já está acontecendo. O tema ganhou letramento e espaço nas empresas; ações pontuais estão migrando para programas estruturados; lideranças começam a se engajar com dados e metas; e a NR-1, com foco ampliado em riscos psicossociais, segue em implementação e entra em vigor no próximo ano — empurrando a pauta de vez do discurso para a prática.

O que já mudou (e o que ainda precisa mudar)

Para Débora, a pandemia teve um papel decisivo: 

"Antes, falar de ansiedade, medo ou insegurança era sinal de fraqueza. Mas quando o mundo inteiro foi colocado em isolamento e todos estavam com medo, algo mudou."

Foi nesse momento que a Braskem começou a se movimentar. O que antes era silenciado passou a ser reconhecido. A empresa deu os primeiros passos para sair de ações pontuais e construir programas contínuos. Ainda há um longo caminho pela frente e o estigma segue presente e a liderança muitas vezes não sabe como abordar o tema. 

Mas a chave foi girada.

Débora afirma:

"Ainda hoje há medo de dizer que se toma medicação, por exemplo. E muitas lideranças só enxergam as pessoas pela lente da performance, não como seres humanos completos."

A saúde mental, quando aparece nas empresas, ainda é um tema exclusivo do RH — e não uma pauta estratégica transversal, como deveria.

Letramento, escuta e números: os pilares de uma nova cultura

Christian trouxe o olhar do hospital e mais de três décadas de experiência com capital humano. 

“O desafio de hoje é outro. RH sempre lidou com eficiência, eficácia, performance. Agora o desafio é maior: pessoas buscam respostas que não estão mais só no trabalho.”

Ele lembra que, antigamente, a resposta padrão era deixar quem tinha qualquer sofrimento mental do lado de fora da organização. Mas essa lógica é inviável, além de desumana. 

“Se for tirar todas as pessoas que enfrentam desafios de saúde mental, não sobra ninguém.”

O Sírio-Libanês começou mapeando iniciativas soltas de prevenção, cuidado e psicoeducação e percebeu que, apesar dos esforços, faltava centralização e estratégia. A partir disso, o hospital criou um núcleo de saúde mental, com uma estrutura de inteligência para consolidar dados e formular respostas mais precisas.

"A escuta ativa virou parte da cultura. Casos reais são discutidos com letramento, inclusive com a alta liderança. Isso ajuda não só os times, mas também as famílias. Pequenas ações consistentes fazem a diferença.”

A Braskem e o desafio industrial: levar saúde mental para o chão de fábrica

Ao assumir a área de RH, Débora decidiu começar ouvindo. A empresa aplicou uma pesquisa global sobre saúde e bem-estar e descobriu que, entre todas as dimensões, a saúde mental e financeira eram as mais urgentes. A primeira ação? Educação financeira.

Com o tempo, a Braskem estruturou um fluxo de cuidado coordenado, com análise de riscos psicossociais, avaliação da jornada de trabalho, relação com lideranças e percepção de reconhecimento. O resultado foi uma abordagem em camadas, que inclui desde rituais de segurança psicológica até apoio clínico especializado.

Hoje, a Braskem é a primeira indústria pesada brasileira a cumprir todos os requisitos do “Mente em Foco”, iniciativa da ONU. 

"Temos diretores discutindo casos de ansiedade e depressão com a mesma seriedade com que analisam indicadores operacionais.”

Presenteísmo, turnover e atração: saúde mental virou tema de negócio

Tatiana, da Vittude, trouxe um dado que sacudiu o auditório: 31% das pessoas nas empresas estão em presenteísmo. Ou seja, comparecem ao trabalho, mas não conseguem produzir. É diferente do desengajamento. São pessoas que, por conta da saúde mental, estão presentes, mas não disponíveis.

Ela também destacou que 86% das pessoas mudam de emprego por qualidade de vida e saúde mental, segundo pesquisa da Exame. E que a geração Z não quer liderar, por entender que esse é um fator de risco para o próprio bem-estar.

Na Vittude, que atende mais de 3 milhões de pessoas, áreas como RH e lideranças são as mais afetadas. 

“Antes mesmo do estigma, havia falta de letramento. As pessoas ouviam ‘engole o choro’ a vida inteira. Falar de sofrimento era sinônimo de fraqueza. Hoje, precisamos quebrar esses padrões com educação, dados e coragem.”

E o que vem pela frente?

O futuro da saúde mental nas empresas está em construção e depende de escolhas hoje. Débora acredita que não se trata mais de diferencial, mas de sobrevivência

“Muitas empresas já estão enfrentando perda de atratividade e altos índices de turnover. É preciso enfrentar isso de frente.”

Christian reforça que o papel do RH será decisivo.

“O que tira meu sono hoje é a formação dos profissionais de RH. Precisamos de uma abordagem holística, multidisciplinar, que entenda gente, negócio e contexto. Esse desafio está nas nossas mãos.”

E Tatiana fecha com uma provocação: 

“Com dados e sensibilidade, conseguimos prever afastamentos antes que aconteçam. Isso muda tudo. Mas é preciso sair da reação e ir para a prevenção. Não dá mais para deixar essa pauta para depois.”

Para a Niky, essa conversa é fundamental. Por quê?

Na Niky, acreditamos que saúde mental não é pauta isolada: é parte central de um ambiente de trabalho saudável e sustentável. Por isso, ela está no centro da estratégia de multibenefícios que entregamos: incluímos ofertas específicas voltadas ao cuidado emocional e psicológico como parte do pacote, ajudando empresas a transformarem boas intenções em políticas reais de cuidado.

Mais do que aliviar sintomas, promovemos bem-estar com soluções que respeitam a diversidade de contextos, fortalecem vínculos e ajudam cada pessoa a acessar o que realmente precisa. Afinal, cuidar da saúde mental é também cuidar do negócio e do futuro do trabalho.

Seu RH mais estratégico começa com escolhas inteligentes

Visite o estande da Niky no CONARH 2025 e veja como nossos multibenefícios podem transformar o bem-estar do seu time.
Conheça nossas soluções

Os mais lidos

Turnover: o que é, por que acontece e como reduzir de forma estratégica
RH

Turnover: o que é, por que acontece e como reduzir de forma estratégica

Ver mais
Fit cultural: como identificar o alinhamento entre empresa e colaborador
RH

Fit cultural: como identificar o alinhamento entre empresa e colaborador

Ver mais
Por que tantos profissionais pedem demissão no fim do ano?
Colaborador

Por que tantos profissionais pedem demissão no fim do ano?

Ver mais

News da Niky

Receba insights rápidos, ideias práticas e tendências de RH direto no seu e-mail. CTA - Cadastre-se na news da Niky!

Navegue por tópicos

Saúde
Novidades
RH
Colaborador
Benefícios
Institucional

Neste artigo

Recomendações

Turnover: o que é, por que acontece e como reduzir de forma estratégica
RH

Turnover: o que é, por que acontece e como reduzir de forma estratégica

Ver mais
Fit cultural: como identificar o alinhamento entre empresa e colaborador
RH

Fit cultural: como identificar o alinhamento entre empresa e colaborador

Ver mais