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Currículo forte, experiência sólida, habilidades técnicas em dia. Ainda assim, a contratação não dá certo. Com o tempo, o engajamento cai, o clima pesa e a saída parece inevitável. Situações como essa são mais comuns do que parecem e muitas vezes têm uma explicação clara: falta de fit cultural.
Cada vez mais, empresas e profissionais percebem que trabalhar bem juntos vai muito além de competências técnicas. Valores, propósito, forma de se relacionar e expectativas sobre o trabalho pesam (e muito) nessa equação.
Fit cultural é o grau de alinhamento entre os valores, crenças, comportamentos e expectativas de uma pessoa e a cultura de uma empresa. Em termos simples, é quando o jeito de ser do profissional conversa com o jeito de funcionar da organização.
Isso não significa contratar pessoas iguais, que pensam da mesma forma. Pelo contrário. Um bom fit cultural respeita a diversidade de perfis, desde que exista alinhamento nos princípios que orientam decisões, relações e prioridades no dia a dia.
Quando esse encaixe acontece, o trabalho flui com mais naturalidade. Quando não acontece, aparece o desgaste, mesmo que o profissional seja tecnicamente excelente.
Durante muito tempo, salário e benefícios foram vistos como os principais fatores de engajamento. Hoje, essa lógica já não se sustenta sozinha. Um estudo da Right Management, (repercutido pelo Valor Econômico), revela um dado importante: globalmente, o alinhamento com a cultura organizacional responde por 37% da variação total do engajamento dos colaboradores. Salário e benefícios, juntos, representam apenas 9%.
O mesmo levantamento mostra uma desconexão relevante entre líderes e equipes. Enquanto 63% das lideranças acreditam que seus times estão engajados, apenas 41% dos próprios colaboradores concordam com essa percepção. Esse desalinhamento costuma levar empresas a adotarem estratégias de retenção baseadas em suposições, não na realidade vivida pelas pessoas.
A cultura organizacional não está apenas nos discursos institucionais ou nos valores escritos na parede. Ela aparece na prática: na forma como decisões são tomadas, conflitos são tratados, pessoas são reconhecidas e erros são encarados.
Quando o propósito da empresa é claro e vivido no dia a dia, ele funciona como um filtro natural de fit cultural. Profissionais que se identificam tendem a se engajar mais. Já aqueles que não se reconhecem nesse ambiente sentem o desconforto rapidamente.
O clima organizacional é o reflexo direto disso. Equipes alinhadas culturalmente constroem relações mais saudáveis, colaboram melhor e apresentam menor rotatividade.
Contratações baseadas apenas em currículo aumentam o risco de erros difíceis (e caros) de corrigir. Avaliar o fit cultural ajuda o RH a enxergar além das competências técnicas e entender como o candidato reage a desafios, feedbacks, mudanças e trabalho em equipe.
Esse cuidado reduz conflitos, acelera a adaptação e aumenta as chances de permanência. Não por acaso, empresas que valorizam o fit cultural tendem a ter processos seletivos mais assertivos e equipes mais coesas.
O primeiro passo é interno: a empresa precisa conhecer bem a própria cultura. Quais comportamentos são valorizados? Que tipo de autonomia existe? Como a liderança atua? Sem clareza sobre isso, fica impossível avaliar alinhamento.
A partir daí, algumas práticas ajudam muito:
Mais do que testar o candidato, o objetivo é criar um diálogo honesto. Fit cultural é uma via de mão dupla: a empresa também precisa fazer sentido para a pessoa.
Engana-se quem acha que fit cultural se resolve apenas no recrutamento. Ele é reforçado (ou enfraquecido) todos os dias, por meio da liderança, da comunicação interna e das experiências oferecidas aos colaboradores.
Ambientes que promovem escuta, autonomia, reconhecimento e bem-estar fortalecem o vínculo emocional com a empresa. E isso pesa diretamente no engajamento e na decisão de permanecer no longo prazo.
Em um cenário em que o desengajamento cresce e a rotatividade custa caro, o fit cultural não é um conceito bonito. Trata-se de uma ferramenta estratégica, fundamental. Ele ajuda empresas a contratar melhor, desenvolver equipes mais saudáveis e construir relações de trabalho mais sustentáveis.
No fim das contas, quando pessoas e empresas caminham na mesma direção, o resultado aparece para o negócio e para quem faz parte dele.
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