
A saúde mental no trabalho deixou de ser um assunto “sensível” para se tornar uma pauta central nas empresas. Ainda assim, muitas dúvidas continuam aparecendo, tanto do lado dos colaboradores quanto do RH e das lideranças.
O que, afinal, é saúde mental no contexto profissional? A empresa tem responsabilidade sobre isso? Burnout dá afastamento? E os benefícios, ajudam mesmo?
Para responder a essas perguntas, vale partir de um dado importante: um estudo recente (repercutido pela Você S/A), mostra que cerca de 66% dos trabalhadores brasileiros já tiveram a saúde mental prejudicada pelo estresse do trabalho. Ou seja, não é um problema pontual. É estrutural.
A seguir, reunimos as dúvidas mais comuns sobre o tema e respostas claras para ajudar empresas e profissionais a lidarem melhor com essa realidade.
Saúde mental no trabalho é o estado de equilíbrio emocional, psicológico e social que permite ao profissional lidar com as demandas do dia a dia. Envolve ainda a capacidade de se relacionar de forma saudável e desempenhar suas funções sem sofrimento excessivo.
Ela não depende só do indivíduo. Fatores como carga de trabalho, metas, clima organizacional, liderança, autonomia e reconhecimento influenciam diretamente esse equilíbrio.
Sim. A síndrome de burnout é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (conforme matéria veiculada pela CNN) como um fenômeno ocupacional, ligado diretamente ao contexto de trabalho. Ela está associada a estresse crônico não gerenciado e pode gerar exaustão extrema, distanciamento emocional e queda acentuada de desempenho.
Quando caracterizado o nexo com o trabalho, o burnout pode, sim, levar a afastamentos e exigir acompanhamento médico e psicológico.
A empresa não é responsável pela vida emocional completa do colaborador, mas é responsável pelas condições de trabalho que oferece.
Ambientes tóxicos, jornadas excessivas, metas inalcançáveis, assédio, falta de escuta e insegurança psicológica aumentam o risco de adoecimento. Por isso, cabe às empresas prevenir riscos psicossociais, promover ambientes saudáveis e agir quando sinais de sofrimento aparecem.
Com a atualização da NR-1, inclusive, esse cuidado passa a fazer parte de uma visão mais estruturada de gestão de riscos.
Sim. Transtornos como ansiedade, depressão e burnout podem gerar afastamento do trabalho, desde que haja avaliação e laudo médico.
Os dados reforçam a importância desse ponto: o Brasil vem registrando aumento expressivo nos afastamentos por transtornos mentais nos últimos anos (conforme dados das Nações Unidas), o que mostra que o problema não pode ser ignorado nem tratado como fragilidade individual.
Diretamente. Profissionais emocionalmente sobrecarregados tendem a apresentar mais erros, menor concentração, conflitos interpessoais, absenteísmo (quando o colaborador se ausenta por conta de problemas de saúde) e presenteísmo (quando o colaborador está só de "corpo presente", mas com desempenho e produtividade reduzidos devido a problemas de saúde).
Apesar de muitos brasileiros avaliarem positivamente a própria saúde mental, existe uma vulnerabilidade silenciosa. Quando não recebe apoio, esse grupo de profissionais em crise costuma impactar resultados antes mesmo de se afastar formalmente.
Cuidar da saúde mental é, portanto, cuidar da performance e da sustentabilidade do negócio.
Benefícios que facilitam o acesso ao cuidado fazem muita diferença, especialmente quando custo e tempo são barreiras reais.
Alguns exemplos:
Vale trazer outro dado importante do estudo que mencionamos na introdução: 73% dos trabalhadores não fazem nenhum tipo de acompanhamento psicológico, sendo o custo e a falta de tempo os principais motivos. Benefícios bem desenhados ajudam a quebrar esse bloqueio.
Sim. E isso vem se tornando uma boa prática cada vez mais comum. O RH não substitui profissionais de saúde, mas pode:
Ainda assim, o estudo aponta um alerta: o NPS das empresas em relação à promoção de saúde mental foi negativo. Ou seja, muitas iniciativas ainda não estão chegando às pessoas da forma certa.
A prevenção começa antes do colapso. Algumas ações incluem:
Burnout não surge do nada. Ele é resultado de um acúmulo de fatores ignorados ao longo do tempo.
Empresas que tratam saúde mental como parte da gestão de pessoas tendem a reduzir afastamentos, turnover e conflitos, além de fortalecer engajamento e reputação.
Falar sobre saúde mental no trabalho é um passo essencial para quebrar estigmas e criar ambientes mais humanos. Quando empresas e colaboradores compartilham responsabilidade, o cuidado deixa de ser exceção e passa a fazer parte da cultura. E isso não beneficia apenas as pessoas. Beneficia os resultados, a sustentabilidade e o futuro do trabalho.
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