
Cinco anos depois da pandemia, o trabalho remoto deixou de ser exceção ou improviso para se tornar tema central da política de gestão de pessoas. E com ele, uma pergunta que não saiu da pauta do RH: o auxílio home office ainda faz sentido? Como estruturá-lo? O que as empresas, de fato, estão fazendo hoje?
O cenário atual é de tensão entre as preferências de quem trabalha e as decisões de quem contrata. E entender esse contexto é fundamental para qualquer empresa que queira tomar decisões bem embasadas sobre o tema.
Um levantamento da LiveCareer, plataforma global de desenvolvimento de carreira, publicado em março de 2026 (repercutido pelo Olhar Digital) reuniu dados de instituições como FIA, FEA-USP, IBGE, Ipea, KPMG, GPTW, Korn Ferry e Randstad para mapear o cenário atual do trabalho remoto no país. E o retrato é de impasse.
Do lado dos trabalhadores, o home office deixou de ser benefício adicional e passou a ser critério de escolha de emprego. Segundo o levantamento, 94% dos profissionais afirmam que o trabalho remoto melhorou sua qualidade de vida, 91% relatam produtividade igual ou superior em casa e 65% buscariam outro emprego se fossem obrigados a retornar ao escritório em período integral.
A proporção de profissionais que pediram demissão por falta de flexibilidade cresceu de 25% para 31% em apenas um ano.
Do lado das empresas, o movimento é predominantemente em direção contrária: 80% das organizações consultadas declaram que pretendem reduzir ou encerrar o trabalho remoto, e dados do GPTW mostram que 51% das empresas brasileiras já funcionam integralmente de forma presencial. Apenas 9% mantêm equipes totalmente remotas.
O argumento mais citado pelas lideranças para justificar o retorno é o fortalecimento da cultura organizacional, mencionado por 63% dos gestores em pesquisa da KPMG.
Esse gap tem custo direto para as organizações. Ainda conforme o levantamento, 41% das empresas já enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados após reduzirem suas políticas de home office. Além disso, 45% se preocupam com o impacto na atração e retenção de talentos.
O teletrabalho é regulado pela CLT desde a Reforma Trabalhista de 2017, instituída pela Lei nº 13.467/2017. O artigo 75 da CLT define o home office como a prestação de serviços fora das dependências do empregador, de forma preponderante ou não, com uso de tecnologias de informação e comunicação, desde que não configure trabalho externo.
A partir dessa base legal, a norma também estabelece os critérios para o vínculo contratual, as responsabilidades do empregador e do colaborador e a relação com o cumprimento de jornada. Convenções e acordos coletivos podem complementar essas regras, o que significa que os regulamentos específicos variam conforme o segmento e as normas vigentes no setor.
Quanto ao auxílio home office, a CLT não define um valor fixo nem uma base de cálculo padronizada. O benefício é enquadrado juridicamente como ajuda de custo, componente da remuneração do colaborador.
O valor do auxílio é de responsabilidade da empresa, que deve considerar as práticas de mercado, o segmento de atuação, a localização e as atividades desempenhadas pelos colaboradores.
O modelo híbrido é o que mais cresceu nos últimos anos: expandiu cinco vezes em um ano e já representa 11% das contratações no Brasil (ainda de acordo com o estudo repercutido na matéria do Olhar Digital). Ainda que 88% das vagas abertas no país sigam sendo presenciais, a curva de crescimento do híbrido é consistente. Os setores com maior concentração de vagas flexíveis (Tecnologia da Informação, Marketing e Comunicação, e Finanças e Contabilidade), que funcionam como referência para outros segmentos.
Na prática, as políticas de auxílio home office estão sendo redesenhadas para acompanhar essa transição. Alguns formatos que têm ganhado espaço:
A decisão sobre o auxílio home office raramente é isolada: ela faz parte de uma política mais ampla sobre como a empresa se posiciona em relação à flexibilidade. Alguns pontos que merecem atenção:
O debate sobre home office em 2026 já ultrapassou a questão da produtividade. O que está em jogo, para a maioria dos trabalhadores, é autonomia, qualidade de vida e percepção de confiança da empresa. O auxílio home office, portanto funciona como um sinal concreto de que a organização reconhece que trabalhar em casa tem custos reais e que está disposta a compartilhá-los.
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