
Janeiro costuma trazer aquela sensação de “folha em branco”: planos novos, recomeços, vontade de fazer diferente. E é exatamente por isso que o Janeiro Branco faz tanto sentido: ele usa esse simbolismo para colocar a saúde mental no centro das conversas, com mais acolhimento e menos tabu.
No ambiente corporativo, o tema é ainda mais urgente. O adoecimento emocional já não aparece só em relatos individuais: ele aparece nos indicadores de absenteísmo, no desengajamento, na rotatividade e na queda de produtividade. E o RH tem um papel decisivo para evoluir de ações pontuais durante campanhas para ações de cuidado contínuo.
O Janeiro Branco é uma campanha nacional dedicada à promoção da saúde mental, instituída pela Lei nº 14.556/2023. A legislação prevê ações de conscientização durante o mês de janeiro, com foco em promover hábitos e ambientes saudáveis e prevenir doenças psiquiátricas (com atenção especial também a dependência química e suicídio).
Ou seja: não é só uma data “de calendário”. É um convite para abrir diálogo, estimular a prevenção e fortalecer uma cultura de cuidado, dentro das organizações.
Porque muita gente já começa o ano no limite.
Em janeiro de 2026, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) chamou atenção para a escalada de afastamentos por saúde mental no Brasil: em 2024, o Ministério da Previdência Social registrou 472 mil licenças relacionadas a saúde mental (68% a mais que em 2023). E, em 2025, dados do INSS indicaram aumento de 143% nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais.
Quando o RH traz esse assunto logo no início do ano, ele ajuda a criar um “acordo cultural” importante: aqui a gente fala sobre bem-estar sem julgamento e busca apoio antes de virar crise.
Nem sempre o sofrimento aparece como “pedido de ajuda”. Muitas vezes, ele chega disfarçado de comportamento.
Alguns sinais comuns no dia a dia das equipes:
Esses sinais não são diagnóstico, mas são pistas. E pistas pedem cuidado, conversa e encaminhamento, ao invés de cobrança.
Um erro comum é transformar o Janeiro Branco em algo “bonito no mural” e distante da rotina. A campanha funciona melhor quando o RH cria espaço seguro para diálogo e conecta o tema com ações práticas.
Aqui vão caminhos que costumam gerar efeito real:
Uma comunicação simples, com linguagem acolhedora, ajuda a quebrar resistência. Vale reconhecer que o ano pode começar pesado, que pedir ajuda é um ato de responsabilidade e que existem canais de apoio.
Muita gente não procura o RH. mas sinaliza para o gestor. Treinar lideranças para identificar sinais, escutar sem minimizar e encaminhar para suporte adequado é uma das ações com maior impacto cultural.
Rodas de conversa, plantões de acolhimento, sessões com profissionais parceiros, grupos temáticos (ansiedade, sono, organização de rotina) funcionam bem quando há confidencialidade, mediação qualificada e opção de participação voluntária.
Saúde mental não depende apenas de “resiliência”. Depende de carga de trabalho, clareza de prioridades, autonomia, comunicação e segurança psicológica.
Janeiro é um ótimo mês para ajustes como:
Quando o colaborador tem acesso fácil ao cuidado, a prevenção deixa de ser só discurso e vira prática. Benefícios que apoiam terapia, teleatendimento, bem-estar, atividade física e autocuidado reduzem barreiras como custo e falta de tempo.
E tem um detalhe importante: quanto mais flexível o benefício, maior a chance de servir para realidades diferentes (quem precisa de terapia, quem precisa de academia, quem precisa de uma rotina mais saudável).
O maior ganho do Janeiro Branco é abrir a porta. Depois, o que sustenta é continuidade: calendário anual de bem-estar, pesquisa de clima com recorte emocional, indicadores de absenteísmo/presenteísmo, trilhas de desenvolvimento para líderes e canais de apoio ativos o ano inteiro.
Quando a empresa assume que saúde mental é parte do trabalho (e não “um problema pessoal do colaborador”) tudo muda. A conversa fica mais honesta, a prevenção vira prioridade e o cuidado se torna um valor real.
E o RH, com pequenas escolhas consistentes, consegue transformar janeiro em um ponto de virada: mais acolhimento, menos estigma e mais sustentabilidade para pessoas e resultados.
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