
A saúde emocional no trabalho deixou de ser um “tema de RH” e virou um assunto de negócio. Quando o emocional vai mal, o impacto aparece em cadeia: queda de produtividade, conflitos, presenteísmo (a pessoa está ali, mas não rende) e, muitas vezes, afastamentos.
O desafio é que saúde emocional não se resolve com uma ação isolada. Ela é resultado do ambiente, da liderança, da carga de trabalho e (sim!) também das escolhas de benefícios que tornam o cuidado acessível no dia a dia.
Uma matéria da CNN repercutiu um levantamento da Inmar Intelligence com mil trabalhadores nos EUA: 34% afirmaram que o trabalho impacta positivamente a saúde mental, enquanto 33% disseram que impacta negativamente. A leitura é direta: o mesmo “trabalho” pode ser saudável em uma empresa e adoecedor em outra. Isso depende muito de liderança, desenho organizacional e cultura.
O próprio levantamento aponta fatores que tendem a proteger o emocional: segurança no emprego, carga de trabalho razoável, gestão acolhedora, flexibilidade e cultura saudável. Do outro lado, aparecem vilões conhecidos: comunicação ruim, excesso de demandas pouco claras, cultura tóxica, falta de reconhecimento e liderança pouco solidária.
Antes do afastamento, quase sempre existem sinais (às vezes sutis) de que algo está saindo do eixo. Alguns exemplos comuns:
Quando esses sinais viram padrão, a empresa está pagando o preço, mesmo que ainda não tenha percebido nos indicadores formais.
No Brasil, o cuidado com riscos psicossociais (como estresse crônico, assédio, sobrecarga e organização do trabalho) vem ganhando espaço nas discussões regulatórias. O Ministério do Trabalho e Emprego comunicou que a inclusão de fatores de risco psicossociais no GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) começa em caráter educativo e prevê período de adaptação até 2026.
Na prática, a tendência é clara: empresas vão precisar mapear riscos, criar planos e mostrar consistência nas ações de prevenção. Benefícios bem desenhados podem ser parte importante dessa resposta.
Benefícios, sozinhos, não substituem um ambiente saudável. Mas eles podem virar uma ponte concreta entre “a empresa se importa” e “eu consigo me cuidar”.
Algumas frentes que costumam funcionar bem:
Terapia, orientação psicológica e programas de assistência ao empregado (EAP) reduzem barreiras como tempo, custo e vergonha de pedir ajuda. Quanto mais simples for acessar, maior a chance de a pessoa procurar suporte antes de chegar ao limite.
Muitas vezes, o estresse não vem só do trabalho: vem do combo “trabalho + vida”. Benefícios flexíveis ajudam porque respeitam momentos diferentes: tem gente que vai priorizar terapia, outros vão investir em atividade física, outros precisam de apoio para alimentação, mobilidade ou organização da rotina.
Atividade física e rotinas de bem-estar não são “perfumaria”. Elas melhoram energia, sono e resiliência. Quando a empresa cria condições (por benefício, parceria, subsídio ou flexibilidade de horário), a adesão deixa de depender apenas da força de vontade.
Day off, banco de horas bem gerido, política clara de desconexão e flexibilidade têm impacto direto na recuperação mental. No estudo citado pela CNN, flexibilidade aparece como um dos fatores positivos mais relevantes para a saúde mental.
Globalmente, a direção é de continuidade (e aumento) dos investimentos em bem-estar. Novas regulações e a conscientização crescente sobre o tema da saúde mental se tornaram o novo contexto. Com isso, a tendência é de que a maior parte dos empregadores mantenha e amplie as ofertas de bem-estar no futuro, com uma fatia planejando aumentar o investimento.
Ou seja: o mercado vai tratar cada vez mais o bem-estar como estratégia, não como “benefício extra”.
Para reduzir afastamentos e fortalecer saúde emocional, vale checar se a empresa:
Quando isso acontece, o resultado costuma vir em três frentes: mais confiança, mais engajamento e menos afastamentos.
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